sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

SEMPRE EM MEU CORAÇÃO


Décimo segundo romance solo de Diedra Roiz
Escrito entre 06 de Janeiro e 01 de Abril de 2016.
Postado entre 29 de Janeiro e 26 de Abril de 2016. 


ATENÇÃO: Os direitos autorais desta obra foram adquiridos pela Editora Vira Letra, que irá publicá-la em versão impressa (livro) e digital (ebook) em 2017, por isso a história não está mais disponível na íntegra. 



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Lembrando que... Copiar o texto e apenas trocar o nome das personagens ou detalhes da história não é fanfiction, muito menos adaptação, é plágio. E plágio é crime! Por favor, não façam isso, ok?



SINOPSE 
Numa época onde as mulheres começavam a conquistar seus direitos, estudar e casar por amor, ter a liberdade de escolher seu destino ainda era para poucas. 
Em SEMPRE EM MEU CORAÇÃO, Eduarda, Nora e Maria Lúcia, três mulheres fortes e decididas, resolvem viver suas vidas conforme o que realmente sentiam, pensavam e necessitavam. Mesmo se para isso tivessem que mentir, viver uma vida emprestada ou ir contra a tudo e todos.

Qual é o tempo do amor?
Muito jovem ou já se passou da fase, dias sem fim ou eterno enquanto dura, um evento moderno ou um acontecimento livre das amarras do tempo? 

Para Nora, a vida não oferecia grandes promessas. Um lar desarranjado, o trabalho precoce, o assédio ameaçando-a onde quer que fosse. O amor? Ela não tinha tempo para essas fantasias, sua vida tinha o custo de seu suor, não podia ser sonhadora como a amiga Maria Lúcia, que viu na paixão a chave para um mundo de muitas cores, ainda que algumas delas fossem assustadoras para as outras pessoas. 
Já de Eduarda, a vida tinha roubado as ilusões antes mesmo que pudessem fincar raízes. Prática, um pouco amarga, acostumou-se a colher apenas o que plantava, olhar para o presente que, ao seu passar, a distanciava de um passado doloroso. 
O fio do destino que entrelaçou essas vidas, cuidou de trazer à luz o que vivia sempre em seus corações...


MÚSICAS QUE INSPIRARAM A HISTÓRIA:  






OBS IMPORTANTE: 
A história não está completa, disponibilizamos apenas os três primeiros capítulos para degustação. 

PRÓLOGO


Deixou escapar um suspiro alto sem querer. Foi o que bastou para que a mulher mais velha ralhasse:

- Você não é paga para sonhar, menina! Termine logo essa limpeza!

Com os olhos muito arregalados, Nora sacudiu o espanador que tinha nas mãos com muito mais velocidade e presteza. A última coisa que queria era que a outra fizesse queixa. Não fazia nem um mês que estava ali, em seu primeiro emprego. Na casa onde sua mãe durante tantos anos havia sido cozinheira. Antes de tê-la. Na verdade, havia deixado o emprego exatamente por estar de “bucho cheio”. História que a mãe nunca lhe contara, apenas juntara fragmentos, buscando alguma pista sobre o próprio pai, de quem a mãe jamais falava e que a menina nunca chegara a conhecer. O pouco que sabia tinha ouvido de forma furtiva, esgueirando-se atrás das portas ou pelos cantos das paredes, quando ninguém lhe notava a presença. Coisa fácil e habitual quando era criança e que havia mudado subitamente... Assim que começou a botar corpo.

- Nora está virando moça.

O padrasto repetiu inúmeras vezes, avaliando-a de cima a baixo, de um jeito diferente. A inocência de Nora tornava impossível compreender o súbito interesse completamente, mas seu instinto era o suficiente para que sentisse uma estranha repulsa e necessidade de se manter longe do homem que nunca lhe dispensara uma palavra ou olhar a vida inteira, e que agora passara a sempre observá-la atentamente.

Nada precisou dizer. A mãe via, percebia e temia pela filha. A única mulher de seus bebês. Precisava protegê-la. Assim sendo, fez o que tinha que fazer. A menina não precisava mais de escola, já conseguia ler, escrever e contar. Era mais do que qualquer um deles era capaz de fazer. Estudar para quê? 

Nora então foi trabalhar como arrumadeira. Em troca de três refeições completas por dia e lanches bastante generosos no meio, um quarto que dividia com a cozinheira e a copeira, e uniformes que eram as primeiras roupas que possuía sem terem sido de outras pessoas antes e que não continham manchas, partes cerzidas ou remendos. O parco salário enviava para a mãe e os meio irmãos. 

“Eles precisam mais do que eu.”

Naquela noite em especial, estava ansiosa, nervosa e feliz. Como nunca antes estivera. Tinha um encontro. Seu primeiro. Com o filho da casa, um moço mais velho do que ela, que parecia um artista de cinema. De manhã cedo o rapaz havia lhe dado um pequeno chocolate com um recheio que Nora não soube identificar, mas que explodiu em sua boca em mil sensações deliciosas e completamente desconhecidas ao seu simplório paladar. 

- Me encontre no jardim depois do jantar, perto das roseiras, e te dou mais.

Foi a promessa dele antes de se afastar.

Nora guardou o papel cuidadosamente. Primeiro nas dobras do avental e mais tarde entre as páginas de seu diário. 

Depois ficou a espera... 

De que seus sonhos românticos, alimentados pelas revistas que lia e as novelas que ouvia na rádio finalmente se concretizassem.

No entanto, a realidade não foi, em nada, poética. Entre assustada e humilhada, tentou desvencilhar-se da boca e das mãos invasoras dele. De nada adiantou chorar e implorar para que parasse, nem repetir soluçando:

- Não! Me solta! Eu não quero!

Sua saia foi levantada e o moço cujas feições já não possuíam mais nada de belas tentou tocá-la... De uma forma que não devia, não podia ser certa.

O grito que a salvou veio de fora:

- Luiz Octávio, o que você está fazendo?

Ao ver a noiva se aproximando, o rapaz imediatamente a soltou e, ainda aos prantos e em completo pavor, Nora caiu no chão, sobre os próprios joelhos.

- Pelo amor de Deus, Eduarda! Você não pode...

O que quer que fosse dizer, se perdeu. Interrompido pela bofetada que levou.

- Eu não posso o quê?

O rapaz levou a mão direita ao rosto e esfregou o lugar onde a noiva o havia acertado:

- Seu comportamento não é o que eu espero de minha futura mulher.

Ela o enfrentou, sustentando o olhar dele... De igual para igual:

- E o seu não é o que eu espero de um ser humano.

Ele piscou, indisfarçavelmente perplexo:

- Quê? Como é?

O sorriso dela continha... Muito mais do que alívio, prazer e felicidade:

- Pode considerar o nosso compromisso desfeito.

Independência.

Segurança.

Superioridade.

Nora nunca tinha visto isso em uma mulher antes.

Da mesma forma extraordinária, os olhos da outra buscaram e encontraram os dela:

- Você está bem?

Nora apenas sacudiu a cabeça aquiescendo, inteiramente incapaz de qualquer outra coisa além de desejar... Ser como ela.



ATENÇÃO: Os direitos autorais desta obra foram adquiridos pela Editora Vira Letra, que irá publicá-la em versão impressa (livro) e digital (ebook) em 2017, por isso a história não está mais disponível na íntegra. 


postado originalmente em 29 de Janeiro de 2016 às 17:58.

CAPÍTULO UM


OBS IMPORTANTE: 
A história não está completa, disponibilizamos apenas os três primeiros capítulos para degustação

Enquanto Nora colocava os pratos e talheres na enorme mesa do refeitório, Maria Lúcia andava ao redor dela, saltitante e tagarela como sempre. Imersa em seus próprios pensamentos, que divergiam completamente dos interesses da amiga, só ouviu a última frase:

- Ai, ele é um sonho!

Desnecessário escutar o resto para saber a quem ela se referia. Paulo, por quem Maria Lúcia estava perdidamente apaixonada fazia tempo, e que nos últimos dois meses havia se tornado seu namorado. Em segredo, obviamente. Pois se Madre Desterro ou uma das freiras sequer desconfiasse...

Podia até ouvi-las cochichando escandalizadas:

“A filha de uma das famílias mais ricas e tradicionais... Engraçando-se com um rapaz que... Entrega a correspondência do colégio... E além de pobre é... De cor!”

Alheia aos efeitos e resultados que aquilo poderia – e iria, Nora tinha certeza! – acarretar, Maria Lúcia permaneceu imersa em seu mundinho perfeito de princesa a quem nunca havia sido negado nada:

- Olha o que ele me deu...

Puxou o cordãozinho de ouro que sempre trazia no pescoço, lembrança de sua madrinha de crisma, e mostrou para Nora... O anel de latão pendurado junto a sua medalhinha de Santa Terezinha, de quem era muito devota.

Beijou o anel apaixonadamente antes de guardá-lo de volta junto ao coração.

- Maria Lúcia, o que você quer que eu lhe diga?

Olhou aflita para aquela que nos últimos sete anos, havia sido sua única e melhor amiga. Desde que o pai dela tinha decidido enviar as duas para o mesmo colégio interno. Movido pelo remorso, ou para compensar o que quase havia acontecido ou talvez... Como Nora gostava de acreditar... Por sugestão da ex-noiva do filho. 

O fato é que, a despeito de ter que trabalhar nos intervalos do estudo e viver na ala das alunas mantidas por caridade, para Nora havia sido... A melhor coisa que já lhe acontecera.

A voz de Maria Lúcia a trouxe de volta à realidade:

- Não diga nada. Eu sei muito bem o que você pensa. 

Segurou as mãos de Nora entre as dela, falou numa só respiração, de uma maneira absolutamente fervorosa, fremente e intensa:

- Acha que o amor é apenas uma ilusão, uma besteira. Mas isso é só porque você nunca se apaixonou, apenas. Quando acontecer, Nora, você vai ver...

Nora não permitiu que ela completasse. Soltou-se e, após um olhar reprovador e um aceno em negação com a cabeça, voltou a arrumar a mesa. Totalmente acostumada com a seriedade, a falta de romantismo e o ceticismo da amiga, Maria Lúcia não se deu por vencida:

- Você vai ver que o amor é maior e mais forte que tudo. É capaz de derrotar qualquer coisa e transpor qualquer barreira!

Só conseguiu fazer com que Nora risse:

- Você sonha em ser Julieta. E eu... Me contentaria perfeitamente em ser Jane Eyre.

Maria Lúcia suspirou:

- Ah, Nora! É um romance lindo também!

E Nora franziu o cenho:

- Não era ao romance que eu me referia, mas... Ao emprego.

Fazia meses que procurava. No entanto, ainda não obtivera nenhuma resposta positiva. E quanto mais o fim de seu último ano letivo se aproximava, mais o que tanto almejava - tornar-se professora ou preceptora - parecia... Inatingível.

Afastou seus temores e receios mais profundos com a obstinação que se tornara uma de suas mais fortes características:

“Posso trabalhar. Onde for preciso. Na rua eu não fico.”

Depois da morte da mãe, dois anos atrás, voltar para casa se tornara impossível. Parou e riu de si mesma:

“Casa. Onde será que fica isso?”

Foi neste exato instante que Madre Desterro entrou no recinto. E dirigiu-se a ela do jeito de sempre - absolutamente ríspido:

- Converse menos e trabalhe mais, Honorina!

O tom que usou com Maria Lúcia foi outro, bem diferente. Quase carinhoso:

- Venha comigo, minha querida.

Doce e penalizado demais para que ela não suspeitasse:

- Aconteceu alguma coisa, Madre?

A expressão da freira, a forma como segurou o braço de Maria Lúcia e falou:

- Venha comigo, por favor.

Disse mais do que qualquer outra coisa.



Diverso ao que as duas pensaram, a conversa não estava relacionada ao envolvimento de Maria Lúcia com Paulo. 

Era algo muito pior, para o qual ela não estava, nem jamais estaria preparada: a perda do pai.

Preocupada com a amiga, Nora tentou inutilmente ouvir o que estava acontecendo dentro da sala fechada. Mas a porta era rústica, pesada e grossa demais, só lhe permitiu escutar os soluços desesperados de Maria Lúcia quando a conversa chegou ao final.

Com a boca seca e incontrolavelmente angustiada, só o que pôde fazer foi esperar... Até que, afinal, a porta fosse aberta e Madre Desterro - com uma das mãos sobre o ombro de Maria Lúcia, que ainda chorava - a fitasse, sem esconder a surpresa ao encontrá-la ali parada do outro lado.

- Deseja alguma coisa?

Sem tirar os olhos de Maria Lúcia, Nora gaguejou:

- Eu só... Só vim ver como ela estava.

Maria Lúcia ergueu os olhos para a amiga e, em meio aos soluços incessantes, conseguiu balbuciar, com muita dificuldade:

- Ah, Nora... O meu pai...

Atirou-se nos braços de Nora, sem que fosse preciso dizer mais nada. A voz de Nora saiu pesada, quase sufocada pelo pesar:

- Eu sinto muito.

O mesmo com que a segurou com força entre os braços. 

- Honorina...

O chamado de Madre desterro fez com que Nora a fitasse. Por um instante, pensou ver algo muito parecido com empatia no rosto da freira, mas não passou de um vislumbre rápido:

- Leve Maria Lúcia para o quarto dela e depois volte para servir o jantar.



Somente depois que toda a cozinha estava arrumada e limpa as alunas bolsistas que trabalhavam, entre elas Nora, puderam descansar. 

Mas naquela noite, Nora não acompanhou suas colegas até o dormitório mais simples para se deitar. Caminhou cautelosamente, oculta pelo conivente disfarce das sombras até o dormitório das mais afortunadas, esgueirando-se pelas escadas até o último andar, destinado às estudantes do último ano. 

Duas batidas fracas, bem de leve e secas a anunciaram antes que abrisse a porta do primeiro quarto à direita e entrasse. Sinal combinado entre elas que desde o primeiro ano usavam.

Nenhuma das duas disse nada. Maria Lúcia continuou prostrada, abraçada nas próprias pernas, o rosto enfiado entre os joelhos. Exatamente como, horas atrás, Nora a havia deixado.

Sentou-se ao lado da amiga e a abraçou:

- Está com fome?

Ela demorou a responder:

- Não.

Nora quase se sentiu aliviada:

- Que bom. Pois não consegui surrupiar nada. Como sempre, as freiras nos vigiaram com olhos de águia.

Maria Lúcia ergueu o rosto inchado de tanto chorar. Havia na maneira que a fitou algo quase febril, que Nora nunca havia percebido em seu olhar:

- Eu preciso de você, Nora. Pode me ajudar?

Nora riu, tentando afastar a sensação assustadora que ameaçava dominá-la:

- Onde está a novidade?

Algo que a seriedade com que Maria Lúcia proferiu as próximas palavras só serviu para acentuar:

- Desta vez é diferente. Não vai ser fácil. E é... No mínimo arriscado.

Deixando o temor de lado, Nora permitiu que sua natureza generosa a guiasse:

- O que é? 

Faria o possível e o impossível para oferecer todo o auxílio que a amiga precisasse.



No dia seguinte pela manhã, Madre Desterro as escoltou até o portão, onde esperaram menos de dez minutos pelo Cadillac preto de luxo que estacionou em frente a calçada onde estavam. Um homem vestido de libré azul marinho desceu do carro, aproximou-se e perguntou, num tom absolutamente formal:

- Senhorita Maria Lúcia?

Olhou de uma moça para a outra, visivelmente confuso. Mas as duas permaneceram caladas, obrigando a freira a tomar a palavra: 

- Ela está bastante abalada.

Como que para comprovar o que a Madre havia dito, as duas se abraçaram. Ainda sem ser capaz de identificar quem era quem, o empregado impecavelmente uniformizado disse:

- Sou Jaime, seu criado. A senhorita Eduarda teve um imprevisto inadiável e pediu para que eu viesse buscá-la.

Ao que Madre Desterro deixou escapar, como se pensasse alto:

- Eu não esperava mesmo que ela viesse.

Fazendo com que Jaime se virasse para a freira:

- Perdão. Como disse?

Ela se apressou em se corrigir:

- Nada. Eu não disse nada.

Explicou, visivelmente abalada:

- Honorina era criada da família de Maria Lúcia e vai acompanhá-la.

Depois se virou e os deixou, sem nem ao menos despedir-se. O que para Nora e Maria Lúcia foi uma benção, pois facilitava – e muito – o plano que haviam traçado. 

Jaime adiantou-se e abriu a porta do banco de trás para que elas entrassem.

Enquanto ele arrumava as bagagens no porta-malas, Nora virou-se para Maria Lúcia: 

- Ainda podemos voltar atrás! Desistir desta loucura!

A amiga respondeu no mesmo tom, para que só as duas escutassem:

- De jeito nenhum! Vamos fazer como combinado!

Assim que terminou a frase, o chofer entrou no carro:

- Podemos ir?

Maria Lúcia cutucou Nora, que só então se lembrou... De que era ela que deveria falar:

- Sim, claro.

Demorou mais alguns instantes para atender ao sinal que Maria Lúcia fez com a cabeça para o lado:

- É... Jaime?

Ele respondeu sem se virar:

- Pois não?

Nora tentou ser natural, sem muito resultado:

- Logo ali na frente tem uma praça, você... Você poderia parar, por favor? É onde a minha amiga vai ficar.

Sempre com o rosto e os olhos voltados para frente, o chofer manteve-se estritamente profissional:

- Perfeitamente, senhorita.

“Não desconfiou de nada.”

Nora pensou, com um alívio que durou pouquíssimo. Quando o carro parou, agarrou-se à Maria Lúcia, inteiramente desesperada:

- Tem certeza?

A resposta foi soprada no ouvido dela, sem hesitação alguma:

- Nunca, em toda a minha vida, eu tive tanta certeza de algo.

Beijou Nora nas faces, os olhos marejados de uma emoção irrefreável:

- Obrigada! Muito obrigada!

Desceu do carro quase correndo, levando com ela uma pequena valise e toda a confiança do mundo no futuro que tanto desejava. Correu para alcançá-lo. Paulo. Que a recebeu nos braços com um beijo apaixonado.

Dentro do carro, através do vidro fechado, Nora assistiu a cena querendo crer que era real e possível tal felicidade. Tentando afastar a sua própria verdade e o medo terrível que sentiu pela amiga... Inutilmente.

“Quando a fome bater à porta o amor sairá pela janela.”

Era só nisso que seus dezoitos anos esfolados pela dura realidade a permitiam acreditar.



Durante o restante do percurso, buscou encontrar um pouco de serenidade repetindo para si mesma... As palavras de Maria Lúcia na noite passada. Capazes de convencê-la a estar ali, de forma inexorável, sem ter como voltar atrás.

“Sempre disseram que fisicamente nós somos muito parecidas. E você é a pessoa que mais me conhece no mundo. Vai saber com exatidão o que fazer e o que falar. Pode ficar no meu lugar. É só por alguns dias. Só até eu estar casada com Paulo. Aí minha tutora não vai mais poder fazer nada.”

Quanto mais pensava, mais chegava à conclusão de que tinha tudo para dar errado.  

Impressão que só se aprofundou enquanto descia do carro, subia a escadaria e entrava na mansão onde, em fila, os criados a esperavam. A mais velha caminhou diretamente para ela:

- Senhorita, meus pêsames. Apesar das circunstâncias tão lamentáveis, seja bem vinda. Sou Ivone, a governanta. Deixe-me apresentá-la ao resto da criadagem.

Deixou-se conduzir, acenando com a cabeça para cada uma das pessoas que faziam o mesmo de cabeça baixa, sem fitá-la. 

O fato de não ser capaz de lhe ver as feições fez com que, com certa amargura, lembrasse:

“Você usa esse uniforme para se tornar invisível. Não uma pessoa, mas uma sombra que se move dentro da casa. Quanto menos for percebida, melhor é a serviçal.”

Profundamente incomodada na posição contrária, que anteriormente supunha muito mais confortável, não foi capaz de gravar os nomes. Na verdade, só ouviu o último:

- Senhorita Eduarda...

Virou-se para seguir a direção do olhar da governanta... Direto para o alto da escada... Que a mulher belíssima desceu, com uma elegância que Nora achou admirável... Até postar-se na frente dela, sem uma palavra. Fitando-a, como se a avaliasse. Quando os olhos se encontraram, Nora afinal a reconheceu.

“É ela! É ela!” 

Não foi capaz de descobrir se seria ou não desmascarada. Sentiu uma vertigem súbita, a vista tornou-se turva, o corpo amoleceu, os joelhos fraquejaram... A última coisa que conseguiu discernir, absolutamente mortificada, foi que... A estranha fraqueza que a tomava era... Um desmaio.


ATENÇÃO: Os direitos autorais desta obra foram adquiridos pela Editora Vira Letra, que irá publicá-la em versão impressa (livro) e digital (ebook) em 2017, por isso a história não está mais disponível na íntegra. 


postado originalmente em 29 de Janeiro de 2016 às 18:00.



CAPÍTULO DOIS



OBS IMPORTANTE: 

A história não está completa, disponibilizamos apenas os três primeiros capítulos para degustação. 

Eduarda reagiu instintivamente, segurando a garota que, do nada, desfaleceu à sua frente, evitando que ela tombasse ao chão.

- Os sais! Tragam os sais!

Ivone gritou, no meio da alvoroçada movimentação que se formou, obrigando Eduarda a ordenar, enquanto se abaixava, ainda com a outra desmaiada nos braços: 

- Abram espaço, deixem-na respirar.

Todos recuaram. Temiam a patroa, o suficiente para nunca contrariá-la. Somente uma criada franzina recém-contratada - cujo nome Eduarda ignorava - ousou ultrapassar o círculo formado ao redor delas pelos demais. Rapidamente. Apenas para entregar o vidrinho de sais aromáticos. Providencial para a maioria das mulheres. De um ridículo patético na opinião de Eduarda, que não era, nunca havia sido, nem jamais seria o tipo de mulher que desmaia.

Enquanto a governanta o destapava e aproximava o frasco do nariz da garota inconsciente - que reagiu de imediato, mas foi voltando lentamente a si – Eduarda aproveitou para analisar a tutelada. 

Maria Lúcia de Almeida Bastos. Não a conhecia. Nem pretendia. Na verdade esperava manter com a garota uma relação inteiramente cordial, sem grandes aborrecimentos ou preocupações, durante os três anos que faltavam para que ela atingisse a maioridade e pudesse tomar posse de sua herança. Até lá, cabia a ela, Eduarda, administrar todos os bens – tanto materiais quanto imateriais – da garota. Devia isso ao pai dela. O padrinho que, mais do que seu tutor dos 16 aos 21 anos, havia assumido o papel de seu segundo pai. 

Qualquer outro a impediria de continuar estudando e a obrigaria a casar-se assim que terminasse o colegial. Principalmente porque o noivo em questão era o filho dele. 

A fusão das fortunas dos dois grandes amigos e netos em comum. Era a isso que se destinava a união, sonhada e planejada antes mesmo que Eduarda e Luiz Octávio fossem gerados. 

Contrário ao esperado, o padrinho havia acatado e apoiado sua decisão de não casar-se. Ao invés disso, Eduarda havia terminado a faculdade, cuja conclusão lhe possibilitara gerir sozinha seus negócios e a própria vida. Ter independência e auto suficiência em um mundo que julgava que o simples fato de ser mulher já a tornava frágil, incompleta e incapaz. 

E ainda assim, a despeito de tudo que havia alcançado e concretizado, era constantemente questionada. Sobre “a parte dela que não estava realizada”. Momentos em que ria, brincava e disfarçava:

- Sou uma solteirona convicta.

Plenamente consciente de que o que faltava, o que a deixaria realizada e realmente completa era algo impensável, inconfessável, inviável.  Pois não envolvia - como aqueles que a cercavam supunham - nem marido nem filhos.

Sabia desde muito cedo. Na época do colégio interno, logo após a morte dos pais. Tinha sido iniciada nos prazeres entre duas mulheres pela professora que mais admirava. Em cima da mesa dela, imersa num misto de culpa, excitação e ardor que a deixou bastante assustada, mas que não a impediu de atingir seu primeiro êxtase... Gemendo e ofegando sem nem perceber:

- Ai, irmã... 

Arrepiando-se inteira quando a freira colou a boca em seu ouvido e, num tom deliciosamente íntimo e rouco, soprou:

- Pode me chamar de Heloísa.



A voz da garota que continuava em seus braços trouxe Eduarda de volta à realidade:

- Eu... O quê... ? Onde eu...?

Ela piscou antes de abrir os olhos e deparar-se com os de Eduarda fixos nos dela. Só então pareceu se lembrar:

- Eu... Desmaiei?

Tentou se sentar, mas só serviu para fazer com que tonteasse de novo. 

- Calma. Devagar.

Os olhares voltaram a se encontrar...



Mas ao contrário do que Nora esperava, a outra não a reconheceu. 

- Maria Lúcia, você está bem?

Sentiu-se... Estranhamente decepcionada. Magoada e... Colocada em seu devido lugar. 

Uma sombra invisível, um nada.

Apenas mais uma serviçal.



Havia alguma coisa familiar na garota, mas Eduarda não foi capaz de definir com exatidão o quê. Alguma lembrança das vezes que a tinha visto quando ainda era criança, sem que jamais tivesse prestado muita atenção ou talvez... Enxergasse nela... Algo de si mesma. 


- Está se sentindo melhor? Consegue levantar?

O tom inequivocamente preocupado que Eduarda usou, aliado à percepção de que continuava sentada no chão, entre os braços dela, fez Nora ruborizar. Absolutamente envergonhada, abaixou a cabeça, fugindo do olhar que tanto a transtornava:

- Sim, eu já estou bem.

Mas a voz saiu fraca demais para que Eduarda acreditasse:

- Vou ajudá-la.

Soou muito mais como uma ordem do que como uma gentileza. Por isso Nora apressou-se em recusar:

- Não é necessário. Obrigada.

Eduarda não a soltou, nem se afastou. Muito pelo contrário:

- Deixe de bobagem.

Rispidez que estava apenas na voz dela. As mãos que seguravam Nora eram firmes, mas macias. Delicadas, suaves, quase aveludadas.



Após acomodá-la em uma das poltronas do escritório, Eduarda perguntou:

- Deseja alguma coisa? Algo para beber? Ou para comer, quem sabe?

Nora pousou as mãos nos joelhos, de um jeito que para ela, parecia afetado. Na verdade, uma cópia fiel da polidez formal com que já tinha visto Maria Lúcia e as outras colegas bem educadas se portarem:

- Não, muito obrigada.

Eduarda observou com atenção a garota sentada com as pernas juntas um pouco de lado numa diagonal, as luvas impecavelmente alvas pousadas com delicadeza sobre o colo, ao invés de estar confortavelmente instalada...

“Frívola.”

Foi sua avaliação final.

- Está se sentindo bem o bastante para conversar? 

A impaciência e a força na voz dela:

- Eu estou perfeitamente bem. Você pode falar.

Fizeram Eduarda rever seu julgamento apressado. 

Pelo visto, por trás da aparência de “bonequinha ingênua, frágil e desamparada” existia... Algo mais.

- Só um instante.

Virou-se, caminhou até a porta e a fechou, para que pudessem ter mais privacidade. 

- Para evitar qualquer equívoco, prefiro lhe explicar tudo. O testamento de seu pai me nomeou sua tutora, isso quer dizer que sou responsável pela administração da sua herança, por você e pelo seu bem estar, até que complete 21 anos. Isto inclui você vir morar aqui, na minha casa. Até por que a única propriedade que seu pai deixou para o seu irmão foi a casa em que vocês viviam. 

A expressão da garota deixou evidente aquilo que Eduarda tão bem conhecia, por experiência. Questionou-a gentilmente, apenas por delicadeza, pois tinha certeza de que, naquele momento, ela deveria estar repleta de dúvidas e questionamentos:

- Gostaria de me perguntar alguma coisa?

Nora pesou internamente se deveria ser tão objetiva quanto ela. Por fim, achou melhor ir direto ao que a estava preocupando. Formulou a principal questão:

- E se eu quiser me casar?

Eduarda lhe lançou um olhar repleto de suspeitas antes de atravessar a sala em direção ao carrinho de bebidas no mais completo silêncio. Serviu-se de Cointreau e só então virou-se para ela:

- Você não pode se casar sem a minha autorização.

Observou atentamente a reação da garota. 

Nora engoliu em seco e, tomada pelo mais profundo pavor pelo futuro da amiga, levantou-se:

- Por que não?

Sem tirar os olhos dela, Eduarda levou o copo à boca e sorveu a bebida com o mesmo prazer com que esclareceu:

- Você é menor de idade. 

Completamente atordoada, Nora deixou-se cair de novo na cadeira, sem o menor resquício da postura elegante de antes. O sangue lhe fugiu das faces e, por um instante, Eduarda pensou que ela fosse desmaiar outra vez.

Ledo engano. Naquela breve fração de tempo, com uma amargura profunda, Nora constatou que, apenas alguns meses mais velha que Maria Lúcia, era menor de idade também. No entanto, fazia anos que era seu próprio amparo e sustento, a única responsável por si mesma. Não tinha nada, não era ninguém. Não valia a pena, nem mesmo para a Lei.

- Eu sou uma mulher, não sou uma criança.

Só percebeu que havia pensado alto depois que o fez. 

O ímpeto que a afirmação continha deixou Eduarda alarmada:

- Está grávida?

Pergunta que levou Nora a pensar em Maria Lúcia... Sozinha com Paulo, certa de que em breve iriam se casar... 

Horrorizou-se:

- É claro que não!

A indignação ultrajada com que a resposta foi proferida tranquilizou e, ao mesmo tempo, divertiu Eduarda:


- Então o casamento pode esperar.

A arrogância dela, a ironia que usou, a superioridade com que a olhou, fizeram com que algo dentro de Nora transbordasse:

- Quem você pensa que é?

Avançou resolutamente, com toda a sua indignação apontada na direção de Eduarda:

- Acha que é melhor do que eu? Como se sentiria estando no meu lugar? Com uma estranha, uma desconhecida querendo da noite para o dia comandar a minha vida, decidindo o que é ou não melhor para mim. 

Agradavelmente admirada e surpreendida, Eduarda a ouviu... Até o fim. Depois ergueu a taça para ela, como quem brinda:

- Bravo!

A princípio, Nora pensou tratar-se de pura ironia. Só percebeu que a mudança repentina era real quando Eduarda sorriu. De uma maneira límpida, claramente despida de zombaria. 

- Você não se parece em nada com o seu irmão.

Os olhos de Eduarda fixaram-se nos dela:

- Até agora você não me perguntou sobre ele, aliás. 

Sem ser capaz de evitar o incômodo que a tomou, Nora se esquivou abaixando um pouco a cabeça. 

Mesmo compreendendo perfeitamente que não era bem vindo, Eduarda não encerrou o assunto. Serviu-se de mais Cointreau enquanto dizia:

- Acredite, eu não a culpo.

Não se tratava de uma insistência fútil. Tinha seus motivos. Fazia anos que o padrinho, cansado do comportamento do filho, notoriamente conhecido por seus excessos com mulheres, bebidas e jogatinas, havia mudado seu testamento, limitando o que este receberia ao mínimo possível e nomeando a afilhada como tutora da filha, a fim de impedir que Luiz Octávio dilapidasse o patrimônio da família.

Eduarda sabia que assim que o ex noivo tomasse ciência disto, retornaria ao Brasil e procuraria Maria Lúcia. Por isso o alívio ao descobrir que a garota não seria nem um pouco receptiva a ele, facilitando assim sua intenção de mantê-la protegida, o mais longe possível do crápula que tinha como irmão.

- Mandei buscar todos os seus pertences na casa do seu pai, depois do almoço já devem estar aqui. Se você precisar de algo, basta comunicar à Ivone. 

Com um aceno de cabeça pesaroso e abatido, que continha todo o pavor de ver-se envolvida em uma trama que se apresentava cada vez mais fechada e indissolúvel, Nora assentiu. 

Aquilo tocou Eduarda profundamente, pois remetia a algo muito íntimo, um abandono que também trazia dentro de si. 

Buscou o que dizer, palavras capazes de minorar o desamparo visível na jovenzinha de olhos assustados, perdidos e tristes à sua frente. Mas não conseguiu. 

Quem quebrou o silêncio foi a garota:

- Estou um pouco cansada, eu gostaria de me retirar.

Não havia na frase nenhuma inverdade. Mais do que cansada, Nora estava... Emocionalmente exausta. 

Eduarda assentiu de imediato:

- Vou pedir que alguém a acompanhe até o seu quarto.

Abriu a porta do escritório e sacudiu um dos pequenos sininhos dourados que serviam para chamar a criadagem sentindo-se desapontada consigo mesma, por não ter tido a sensibilidade de perceber a fadiga da outra. 

Prontamente, uma das mulheres uniformizadas a atendeu. Nora a seguiu, atravessando o gigantesco saguão de entrada, subindo a suntuosa escada e afundando os saltos dos sapatos na maciez dos tapetes que revestiam os corredores intermináveis... 

Mesmo depois que fechou a porta atrás de si e se viu sozinha no quarto, não conseguiu livrar-se da tensão que carregava. Jamais poderia, enquanto aquela farsa perdurasse. 

Aproximou-se da cama de dossel e, sentindo-se uma intrusa, não foi capaz de deitar-se. Acomodou-se na poltrona em frente a janela, sem ousar macular a colcha e os lençóis inestimáveis. Ficou muito tempo assim, imersa em seus temores, antes que, afinal, o cansaço a derrotasse.



Assim que fechou a porta e ficou sozinha no escritório, Eduarda procurou voltar sua atenção para o trabalho. Porém, nem a pilha de papéis em cima de sua escrivaninha, muito menos a urgência das ligações que precisava fazer foram capazes de desviar seu pensamento de Maria Lúcia. A garota era, em muitos sentidos, um enigma que precisava desvendar. Pois se havia algo que não suportava, eram surpresas. Especialmente as que ameaçavam desmanchar a ordem da estrutura que havia cuidadosamente delineado para si. 

Não que a presença da garota, ou melhor, da jovem - foi obrigada a corrigir-se – mudasse o funcionamento de sua vida. Ser tutora era apenas... Mais uma obrigação, mais uma função que exercia. Que dificuldade poderia haver nisso?

O toque do telefone impediu que prosseguisse. 

- Alô?

Reconheceu imediatamente a voz do outro lado:

- Alô... Eduarda? Cheguei ontem na cidade e soube do falecimento de seu padrinho. Eu sinto muito, minha querida.

Permitiu-se suspirar... Com ela podia demonstrar o pesar que estava sentindo:

- Obrigada, Lídia.

Apenas por um instante ínfimo. Pois desde a época do colégio interno, onde haviam se conhecido, Lídia não era adepta de nada que pudesse tirar-lhe a “joie de vivre”. Óbvio que dar pêsames não era a verdadeiro motivo daquela ligação:

- O Gilberto saiu com alguns amigos e eu estou aqui sozinha.

Não era novidade depois do nascimento do terceiro filho, finalmente o tão desejado e esperado menino. Muito menos o papel que ela representava na vida de Lídia. De consolo na ausência do marido:

- Vem almoçar comigo? 

Eduarda voltou a suspirar:

- Eu adoraria, minha querida... Mas, infelizmente, hoje não será possível. 

Tinha um velório no fim do dia e um enterro no dia seguinte. E Lídia sabia perfeitamente disso.

No entanto, ao invés da compreensão esperada e devida, ela mostrou sua contrariedade com um muxoxo perfeitamente audível:

- Ah... Será possível que você não possa deixar suas obrigações de lado um pouquinho?

Pelo tom que usou, Eduarda sabia perfeitamente que ela estava fazendo o biquinho dengoso que diversas vezes já havia se mostrado irresistível:

- Nem por mim?

Foi com um esforço considerável que novamente recusou:

- Minha tutelada chegou há pouco e prefiro não me ausentar ainda.

Mas Lídia não era mulher de se dar tão facilmente por vencida:

- E se eu fosse até aí?

A vontade de vê-la... De tê-la depois de tantos dias... Quase fez Eduarda sucumbir. De bom grado cederia... A tudo que, sem precisar dizer de forma explícita, ela prometia e certamente, cumpriria... Se seu senso de dever, mais forte do que tudo, não a impedisse:

- Sinto muito, eu... Realmente não acho que o momento seja propício.

A terceira negação fez o temperamento forte e voluntarioso de Lídia, que Eduarda tão bem conhecia, finalmente explodir:

- Você é inacreditável, Eduarda! Eu aqui morrendo de saudades e você louca para se livrar de mim...

Mas no fundo do protesto, havia uma súplica, um apelo velado, que afetou Eduarda muito mais intensa e profundamente do que todas as táticas de sedução anteriores:

- Não é isso... E você sabe, meu bem...

A frase soou ardente, lânguida, íntima... Quase como uma carícia... Que fez Lídia derreter-se também:

- Que bom, pois mesmo se você quisesse... Eu jamais permitiria. 



ATENÇÃO: Os direitos autorais desta obra foram adquiridos pela Editora Vira Letra, que irá publicá-la em versão impressa (livro) e digital (ebook) em 2017, por isso a história não está mais disponível na íntegra. 



postado originalmente em 31 de Janeiro de 2016 às 18:00.